A gente sabe como é fácil cair na armadilha do design familiar. Os dois modelos — Beats Studio 3 Wireless e o novíssimo Beats Studio Pro — têm o mesmo visual arredondado, a mesma pegada discreta e, pra quem bate o olho rápido, parecem praticamente iguais. Mas quem já usou fone por mais de duas horas seguidas, ou tentou ouvir música no ônibus lotado, sabe que é nos detalhes que a experiência muda.
O Studio 3 Wireless já estava há anos no mercado. Ele teve seus dias de glória, sem dúvida. Mas aí chega o Studio Pro com promessa de som refinado, cancelamento de ruído mais moderno, áudio lossless via USB-C e integração com o “Buscar” da Apple. Parece um upgrade justo, mas será que é mesmo o salto que a Beats precisava? Ou só uma repaginada pra justificar o lançamento?
É isso que a gente vai descobrir. E sem enrolação.
Design e construção: quase um déjà-vu — com uma leve repaginada

A primeira impressão é aquela que mais engana. Se você colocar os dois lado a lado, a diferença visual é mínima. O Studio Pro ficou com o acabamento mais limpo — adeus ao logo estampado na haste, o que dá um toque mais elegante. Mas continua sendo plástico fosco, nada de metal, nada de premium no toque. E aí vem o detalhe: ele é 10 gramas mais pesado que o Studio 3 Wireless.
Pode parecer pouco, mas depois de umas duas horas na cabeça, você começa a sentir.
Nenhum dos dois é resistente à água, ou seja, não são feitos pra academia, nem pra pegar chuva no caminho de casa. É aquele típico fone pra ambientes internos — escritório, viagem, sofá. E nisso os dois entregam a mesma vibe.
Conforto: o encaixe muda, mas o problema continua
A Beats ajustou as almofadas no Studio Pro, deixando-as um pouco menores e com novo material, mas isso não resolveu o problema crônico da linha: a pressão lateral é forte e a vedação nem sempre funciona com quem usa óculos ou tem cabeça mais larga.
O Studio 3, com copos ligeiramente maiores, acaba oferecendo um encaixe mais confortável pra mais gente. Os dois cansam depois de um tempo. O Pro talvez um pouco antes, inclusive. Então se você é daqueles que passa horas com o fone, não espere um abraço suave.
Controles físicos: práticos, mas barulhentos
Aqui nada mudou demais. Botões físicos nas conchas, controles de volume, liga/desliga, atender chamadas, ativar Siri… tudo do jeitinho antigo. Funciona bem, mas os cliques são audíveis, o que pode irritar em ambientes silenciosos. A sensação é aquela de “fizemos porque sempre foi assim”.
A única modernização: no Studio Pro dá pra alternar modos de EQ quando está conectado por USB-C. No Studio 3? Esquece. É Bluetooth e só.
Conectividade: onde o Studio Pro larga na frente sem olhar pra trás

Se tem um ponto em que o Studio Pro humilha o Studio 3 Wireless é esse: USB-C com áudio digital e Bluetooth 5.3. Já o Studio 3 ainda vive nos tempos da micro-USB — sim, aquele cabo que você já aposentou há uns quatro anos.
Além disso, o Studio Pro permite ouvir música via cabo USB-C com qualidade lossless, algo impensável na versão antiga. O Bluetooth 5.3 também traz melhorias reais de estabilidade e menor latência. Isso se sente principalmente quando você assiste vídeo ou joga — o som chega antes do tapa.
Integração com sistemas: Apple no coração, Android no bolso
Ambos funcionam bem no iOS, mas o Studio Pro oferece mais coisa: áudio espacial, integração com o app Buscar e emparelhamento imediato via iCloud. Se você vive no ecossistema da maçã, não tem nem o que discutir.
No Android, os dois são mais ou menos iguais — controle limitado, equalizador só via app básico e sem todos os recursos. Nenhum dos dois tem app avançado com EQ gráfico, por exemplo.
Mas se você quer rastrear o fone caso ele suma ou experimentar o tal do Dolby Atmos com rastreamento de cabeça, só o Studio Pro vai te entregar isso.
Qualidade de som: Beats finalmente amadureceu

Essa é a parte em que o Studio Pro mostra que não veio só pra “parecer novo”. O perfil sonoro mudou bastante.
Esquece o som exagerado e turbinado do Studio 3 Wireless. Aquele grave inflado que abafava a voz e tornava tudo meio igual. No Studio Pro, os agudos aparecem, os médios respiram, e o grave fica onde deve: presente, mas não dominador.
Além disso, você tem três modos de EQ via USB-C: Signature (mais equilibrado), Entertainment (pra filmes) e Conversation (pra voz). Não é um milagre de personalização, mas ajuda bastante.
Se você ouve pop, hip hop ou eletrônico, os dois entregam bem. Mas se você curte rock, música acústica, jazz, podcasts… o Studio Pro vai soar mais limpo e menos artificial.
Cancelamento de ruído: uma geração de diferença
O Studio 3 já teve seu momento com o chip W1 da Apple, mas ficou parado no tempo. Seu ANC funciona, mas é básico e tem dificuldades com ruídos variáveis ou frequências médias.
O Studio Pro usa uma tecnologia mais moderna, com melhor resposta em ruídos graves — como motor de ônibus, ventilador ou avião. A vedação também ajuda um pouco, mesmo com o encaixe mais apertado.
Não é o melhor ANC do mercado, nem compete com Sony ou Bose, mas melhora muito em relação ao Studio 3.
Bateria: mesma autonomia, carregamento atualizado
Aqui os dois empatam em tempo: até 40 horas sem ANC, cerca de 24 com o cancelamento ligado. Mas o Studio Pro carrega por USB-C. Já o Studio 3 exige que você desenterre um cabo micro-USB do fundo da gaveta. Precisa dizer mais?
A recarga rápida também é mais eficiente no Studio Pro. E isso conta bastante se você esquece de carregar o fone com frequência (quem nunca?).
Microfone: curioso, mas o Studio 3 leva por pouco

Uma surpresa: o Studio 3 Wireless tem microfone ligeiramente melhor para chamadas. No Studio Pro, a supressão de ruído durante ligações é mais agressiva — e às vezes sua voz sai abafada.
Não é ruim, mas em ambientes barulhentos, o Studio 3 consegue soar mais natural. Nada que vá arruinar sua reunião no Zoom, mas fica o registro.
Recursos extras: o novo sabe fazer mais
Áudio lossless, rastreamento pelo app Buscar, áudio espacial com rastreamento de cabeça… tudo isso é exclusivo do Studio Pro. Não são recursos essenciais, mas são o tipo de coisa que mostra que o fone está alinhado com o presente — e com o futuro.
O Studio 3 Wireless, embora funcional, parece mais um sobrevivente de uma geração anterior. Ele funciona, mas não acompanha.
Conclusão: o Studio Pro é o fone que a Beats devia ter lançado antes
Depois de tudo isso, fica difícil dizer que o Studio 3 ainda tem espaço. Ele pode até agradar pelo preço — e por ainda segurar bem nas funções básicas —, mas a sensação de estar usando algo desatualizado bate rápido.
O Studio Pro não é perfeito. Ainda tem problemas de conforto, o app continua básico e ele custa mais do que deveria. Mas ele resolve o que mais incomodava no Studio 3: som desequilibrado, micro-USB e um ANC que já não impressionava.
Se você está com o Studio 3 há anos, vai sentir a diferença logo no primeiro play. Se nunca teve um Beats, o Studio Pro finalmente é uma opção que não parece só hype — ele entrega.
Então sim: o Beats Studio Pro é o verdadeiro upgrade. E era hora.


